• Publicada em 6 jul 2011 às 08:41
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Ponte antiga de madeira quebra e ônibus com 20 aposentados quase cai em córrego

No local estavam aproximadamente 20 alunos da Escola Estadual Zumbis dos Palmares que colocaram galhos de árvores e placas com dizeres de atenção.

Midiamax/ML

Foto: Midiamax

A péssima condição das estradas e pontes em Mato Grosso do Sul causou um susto em vinte idosos aposentados da Comunidade de Quilombola Furnas do Dionísio, a 40 km de Campo Grande. Eles estavam em um ônibus que quase caiu no córrego Ribeirão.

O acidente aconteceu na tarde desta terça-feira (5), quando uma ponte com aproximadamente 40 anos de idade quebrou. Durante a manhã, o governador André Puccinelli reuniu a imprensa para assinar ordens de serviço para construção de pontes destruídas durante as chuvas no começo do ano com dinheiro que o Governo Federal enviou.

Na época, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, deu um ‘puxão de orelhas’ no governador para que o Mato Grosso do Sul deixe de gastar dinheiro público com pontes de madeira e passe a construir pontes de concreto, que duram mais. A sugestão é uma forma de evitar o desvio de dinheiro público em constantes obras de manutenção de pontes frágeis.

‘Corpos no Córrego’

Os idosos seguiam para a Comunidade da cidade de Jaraguari (a 50 km de Campo Grande), de onde recebem aposentadorias e realizam consultas médicas. A estrada é o único acesso que liga a região com a MS-010 e a BR-163.

O ônibus só não caiu, pois o motorista conseguiu dar ré, no momento em que a roda dianteira direita afundou na ponte. No momento em que a reportagem chegou ao local, o veículo já havia sido retirado.

No local estavam aproximadamente 20 alunos da Escola Estadual Zumbis dos Palmares que colocaram galhos de árvores e placas com dizeres de atenção.

De acordo com a presidente da comunidade, a lavradora, Maria Aparecida Martins, 56, já foi pedido os reparos ou a construção de uma ponte nova junto ao poder públcio. Agora será feito um ofício que será entregue aos deputados estaduais.

“Não tem que esperar acontecer uma fatalidade, isso já é uma tragédia antecipada, não queremos recolher corpos de aposentados no córrego”, disse a diretora da escola Zumbis dos Palmares, Luzia Brito.

“Sorte que o motorista conhece a estrada e soube retirar o ônibus, caso contrário, poderia ter acontecido algo pior”, disse a presidente da comunidade.

Além de serviços básicos feitos em Jaraguari, a estrada serve de acesso para estudantes da Escola Estadual Zumbis dos Palmares e Escola Municipal Vieira Pólo, onde transitam diariamente duas vans que levam e trazem alunos do 6° ano ao Ensino Médio.

“Tem que fazer uma ponte de concreto”, diz o pedreiro Orlando Alves da Silva. “Isso não é uma coisa que pegou a gente de surpresa, pode acontecer uma tragédia maior”, conta o professor Waldemir Nunes, 44.

A comunidade que fica no pé da Serra de Maracaju foi fundada em 1901 pelo ex-escravo Dionísio Antônio Vieira, o “Véio Dionísio”. A ponte é o único acesso dos cerca de 400 pessoas das 90 famílias da comunidade que na sua maioria vivem da economia de plantação de hortas e hortaliças e produção de rapadura, melado e farinha.

 
 
 
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