• Publicada em 22 mar 2011 às 08:00
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Promotoria apura denúncia de danos ambientais provocados por PCH

A polícia civil também investiga o caso.

TV Centro América/ML

Foto: Divulgação

O Ministério Público estadual abriu um inquérito para investigar a denúncia de danos ambientais provocados por uma Pequena Central Hidrelétrica em Brasnorte (580 quilômetros de Cuiabá). A Promotoria já coletou indícios de que o reservatório atingiu uma área maior do que a licenciada e a água teria invadido propriedades vizinhas à PCH. A polícia civil também investiga o caso.

O agricultor Davi Perin procurou a polícia para denunciar que está marcado para morrer. Ele afirma que recebeu ameaças de morte por telefone. “Quando atendo o celular de manhã eles pergutam se ainda estou vivo”, conta o agricultor, que também teria sido ameaçado pessoalmente. Um pistoleiro chamado Isaías Correia Vieira teria sido contratado para cumprir as ameaças. Em depoimento, ele revelou que dois homens identificados como Barato e Guarapuava ofereceram R$ 35 mil em dinheiro para executar Perin. “São dois funcionários da DM Construtora, que fez para a Cravari Energia a usina”, afirma o agricultor.

O motivo das ameaças, segundo o agricultor, são as denúncias que ele faz há mais de três anos contra a empresa Cravari Energia, dona de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) em Brasnorte. Ele afirma que pelo menos 50 hectares a mais do que o autorizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente foram inundados.

De acordo com a denúncia que está sendo investigada, há indícios de crimes ambientais. No local onde deveria existir uma floresta, várias árvores morreram e outras estão caídas. Lá também existem madeira serrada e cortada que estão embaixo d’água.

O agricultor Davi Perin, que prestou serviço para a Cravari Energia, faz outra acusação contra a empresa. Ele diz que a suposta retirada de madeira das áreas foi feita sem o licenciamento.

Desde 2008, Perin encaminha denúncias à Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Há três semanas, ele esteve novamente na Sema para cobrar explicações sobre as denúncias que têm feito. Na recepção da Secretaria, Perin encontrou o secretário Alexander Maia e os dois discutiram. A conversa foi gravada e, em um trecho, Perin reclama que mais de mil metros de tora estão apodrecendo no local, sem que os técnicos da Sema tomem providências. Maia rebateu a acusação de suposta negligência dos técnicos. “Vou mandar o pessoal contigo. Se você estiver errado, vou mandar te algemar e te mandar para a delegacia”, disse Maia.

O secretário se explicou. “Ele tem sido tratado com todo o respeito, com toda a atenção. E lamentamos profundamente se, porventura, houve qualquer tipo de mal entendido com relação a isso”, afirmou Maia à TVCA.

Investigações

Três semanas depois da discussão gravada pelo agricultor, uma equipe de técnicos da Sema esteve na área da PCH em Brasnorte. E levou o agricultor Davi Perin junto no helicóptero para apontar os pontos onde estariam as irregularidades. A vistoria ainda não foi concluída.

A Sema ainda não tem previsão para concluir o relatório de vistoria e a denúncia contra o secretário Alexander Maia foi encaminhada para a Polícia Civil e será analisada pela delegada Luzia Machado.

O advogado da Cravari Energia informou que as explicações já foram dadas à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e que a empresa só vai se manifestar após conhecer o teor das acusações.

O agricultor Davi Perin, por determinação judicial, tem que manter uma distância mínima de 500 metros da usina em Brasnorte. É porque um dos funcionários da empresa registrou boletim de ocorrência de ameaça contra o agricultor.

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