• Publicada em 11 jun 2011 às 09:57
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Bombeiros deixam prisão em quartel marchando e sob aplausos da população

Com cartazes pedindo a anistia aos presos, muitos choraram enquanto cantavam o hino dos bombeiros e o hino nacional. Uma queima de fogos na homenageou os militares.

G1/AB

Foto: Lilian Quaino/G1

Marchando, emocionados e aplaudidos pela população. Foi assim que a grande parte dos 439 bombeiros detidos há uma semana no quartel de Charitas em Niterói deixou a prisão rumo à liberdade por volta das 9h deste sábado (11).

Com cartazes pedindo a anistia aos presos, muitos choraram enquanto cantavam o hino dos bombeiros e o hino nacional. Uma queima de fogos na homenageou os militares.

Um dos agentes falou rapidamente com a equipe da Rede Record e bateu continência antes de se despedir para continuar a manifestação.

- É muita emoção. Só queremos a liberdade, voltar para nossas famílias, nossos amigos e ao trabalho. Sabíamos que éramos queridos, mas não tantos.

Por volta das 8h, alguns dos presos começaram a sair, mas a maioria esperou para que todos deixassem o quartel juntos. Uma falha na lista dos alvarás deixou dez bombeiros sem a liberdade. Os militares que já foram soltos dizem que vão ficar do outro lado da rua aguardando a saída deles.

Entenda o caso

Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros – muitos acompanhados de mulheres e crianças – ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.

A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.

Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.

Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, desta vez para o quartel de Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.

Visivelmente irritado com o “total descontrole”, o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.

Cabral disse que não negocia com “vândalos” e “irresponsáveis”, alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007.

Pressionado por dezenas de protestos e diante da grande repercussão do caso, na quinta-feira (9), o governador anunciou aumento de 5,58% nos salários de bombeiros, policiais militares, policiais civis e agentes penitenciários. Para isso será antecipado de dezembro para julho os reajustes que já eram previstos. Ele ainda anunciou a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil e nomeou o comandante Simões como titular da pasta.

Na sexta-feira (10), um pedido de liberdade feito pelos deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Doutor Aluizio (PV-RJ) foi aceito pelo desembargador Claudio Brandão de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio. Os 439 bombeiros responderão em liberdade após serem autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão.

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