- Publicada em 5 ago 2011 às 07:34
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Advogado de enfermeiro suspeito de aborto discorda de indiciamento.
Defesa do cunhado aceita a conclusão do inquérito, mas questiona prisão.
G1/ML
‘Esse inquérito não o condena’, assim o advogado Davi Moura de Olindo, que defende o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, avaliou nesta quinta-feira (4), em Campo Grande, o indiciamento do seu cliente pela Polícia Civil por prática de aborto e ocultação de cadáver de Marielly Barbosa Rodrigues, de 19 anos.
A jovem desapareceu na capital no dia 21 de maio deste ano e foi encontrada morta em um canavial, em Sidrolândia, a 70 quilômetros da cidade. Além do enfermeiro, também foi indiciado pelos crimes o cunhado da jovem, Hugleice da Silva.
O delegado Fabiano Nagata concluiu nesta quarta-feira o inquérito que apura o desaparecimento e morte da jovem. Além de concluir a investigação, ele também pediu a prisão preventiva dos dois suspeitos, já que a prisão temporária dos suspeitos vence no dia 12.
Conforme a Polícia Civil, a prisão temporária é decretada quando há indícios contra os suspeitos e para a conclusão do inquérito. Ela é válida por 30 dias e pode ser prorrogada por mais 30. Já a preventiva é pedida para evitar fuga dos suspeitos ou para garantir a integridade deles.
O advogado do enfermeiro diz que não concorda com o modo como a Polícia Civil conduziu o inquérito do caso Marielly e que vai aguardar que o processo chegue ao Judiciário para entrar com recurso para que seu cliente responda em liberdade.
“Não quero polemizar, mas o delegado está levando do jeito dele, não vou fazer nada enquanto estiver nas mãos dele, só quando for para o Judiciário”, afirma Olindo.
Em contrapartida, o advogado José Roberto, que representa o outro suspeito indiciado, Hugleice da Silva, concorda com o indiciamento feito pela Polícia Civil, mas questiona o pedido de prisão preventiva do seu cliente.
“Estou entrando hoje mesmo com um recuro pedindo a revogação da prisão, pois ela não tem necessidade”, avalia José Roberto.
Nova perícia em Sidrolândia
Nesta quarta-feira (3), o delegado Fabiano Nagata fez novas investigações sobre o caso em Sidrolândia. Segundo ele, na casa do enfermeiro foram encontrados alguns indícios de sangue e materiais que levantaram suspeita dentro de uma fossa séptica.
Todo o material foi coletado pela perícia e encaminhado para laboratórios. Os resultados devem ficar prontos em aproximadamente dez dias e se apontarem algum fato novo, ainda poderão, conforme o delegado, ser incluídos no inquérito.
Histórico
O corpo de Marielly foi descoberto em um canavial no dia 11 de junho. Antes disso, a família já havia iniciado campanha em busca da jovem, que havia desaparecido no dia 21 de maio. Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a estudante morreu em decorrência de aborto malsucedido.
O cunhado de Marielly e o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, 40 anos, foram presos, suspeitos de envolvimento na morte da jovem. Inicialmente, Hugleice da Silva negou que tivesse qualquer relação com o caso, mas confessou que teve um relacionamento com a garota e que a levou para abortar em Sidrolândia.
Silva disse que pegou o telefone do enfermeiro com um caminhoneiro e marcou encontro na casa dele, em Sidrolândia. O cunhado de Marielly disse à polícia que Gomes contou que o procedimento deu errado e a jovem morreu. Os dois teriam levado o corpo para o canavial. Silva nega que seja o pai da criança que a cunhada esperava.
Mesmo com as confissões de Silva, o enfermeiro nega participação no crime. O advogado Davi Moura de Olindo, advogado de Jodimar Gomes, declara que as provas contra o cliente são frágeis e que as investigações precisam tomar outro rumo para apontar a verdadeira causa da morte de Marielly. Silva permanece preso em Campo Grande e Jodimar Gomes, em Sidrolândia.
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