- Publicada em 26 abr 2011 às 14:00
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Quando a direção da Santa Casa de Campo Grande explicou a sua superlotação, afirmou que muitos pacientes do interior chegam à sua porta, diariamente.
Midiamax/ML
Quando o governador André Puccinelli inaugurou o Hospital Regional de Coxim, no dia 5 de novembro de 2009, o que mais se falou no ato festivo foi que os doentes “não precisariam mais arriscar a vida na BR-163″, com destino aos hospitais de Campo Grande.
O atendimento, de fato, só começou no dia 8 de março de 2010 e a população carente por atendimento do SUS, com qualidade, acreditou na promessa, que até agora não foi cumprida.
O novo hospital foi exaustivamente utilizado na campanha de reeleição do governador, principalmente no programa eleitoral da televisão. Mas, um ano e cinco meses depois, a realidade dos pacientes do SUS da região não mudou no essencial.
O Hospital atende casos de emergência, sem traumatismos profundos ou politraumatismo graves, partos naturais, cirurgias não complexas, inclusive ortopédicas, entre outros atendimentos. Mas daí em diante, segundo os moradores, o hospital ficou devendo.
Pacientes garantem que faltam médicos especializados e os exames laboratoriais exigidos pela medicina moderna.
Desse modo, a BR 163 continua sendo a porta da esperança para os pacientes do SUS do norte do estado. Esse fato contrasta com a lei de criação do SUS, que define que um hospital de média complexidade, como o de Coxim, “demande disponibilidade de profissionais especializados e o uso de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico e terapêutico”.
Viagens cansativas expõem pacientes a risco
Três vezes por semana, duas vans partem da cidade lotadas de doentes, portadores dos mais variados tipo de moléstias. Juntos, eles viajam os 486 kms, ida e volta de Campo Grande.
A sina dos moradores doentes começa antes das duas horas da madrugada, quando os pacientes vão se perfilando nos pontos de passagem das vans nos bairros. As peruas recolhem um a um os doentes, chova ou faça frio.
Quando o dia amanhece, depois de cruzarem por dezenas de carretas da BR-163, os pacientes são deixados nas portas de hospitais e clínicas de exames especializados em Campo Grande, independente do horário marcado para o atendimento. Alguns são particulares. No fim do dia, os pacientes retornam para Coxim e, enquanto a cura não vem, estão sujeitos ao retorno para Campo Grande quantas vezes for necessário (e quando houver vaga).
A situação das outras cidade da região é a mesma. Muitos moradores de Rio Verde são mandados direto para Campo Grande pelos médicos locais. A reportagem encontrou uma van da cidade retornando de Campo Grande, para num posto de gasolina para o lanche, onde os pacientes fizeram exames. Ali mesmo havia outra van, de Costa Rica.
Moradores reclamam da falta de médicos e de exames
A reportagem conversou com moradores de bairros de Coxim e trabalhadores do centro, como motoboys. Há unanimidade em relação à falta de médicos especializados.
“Tem um médico pra atender tudo. Demora. A gente chega às 6 horas e é atendido ao meio dia”, garante a paciente C.R. que tem doença cardíaca e se trata na capital. “Eles dão uma injeção para a dor, um remédio para por embaixo da língua e mandam embora pra casa” afirma R.L.
Segundo os moradores, consultas e tratamento cardíaco, hemodiálise, cirurgias de catarata, traumatismos, radiologia, tomografia, ressonância, endoscopia, biópsias e outros tratamentos, só na capital.
Um caso emblemático é o da anciã S.C. de 84 anos, que precisava fazer uma biópsia no começo do ano e, ao mesmo tempo, quebrou o braço numa queda.
“Com o encaminhamento de Coxim para o Hospital Regional de Campo Grande, fizemos a biópsia, mas demorou 60 dias para ficar pronta, explica a filha Neiva. ” Tivemos que arrumar emprestado a ambulância de uma firma aqui de Coxim, pagar o diesel e o motorista, porque não tem jeito, só a Van, e ela não pode sofrer assim. E o braço quebrado não recebeu tratamento no HR da capital porque lá não tinha ortopedista , uma vergonha”, explicou a filha com veemência.
E por que o braço não foi tratado em Coxim? A filha explica que o ortopedista do hospital regional da cidade queria amarrar o braço com fios de aço, mas iria demorar muito tempo. “Além disso, ela tem osteoporose, amarrar o quê?”, contou exaltada a filha Neiva. O braço da anciã foi tratado por um ortopedista particular da cidade.
Morte de bebê no Hospital de Coxim é alvo de investigação do MPE
A morte do bebê Luiz Felipe, de um ano e ocorrida em 24 agosto de 2010, é investigada pelo Ministério Público de Coxim. Segundo a mãe Jaqueline da Silva, o bebê deu entrada na emergência do hospital às 7 horas da manhã, recebeu soro sem ter feito nenhum exame, começou a inchar e morreu quando era levado para Campo Grande, na manhã do dia seguinte, depois de muita insistência dos pais. Segundo a mãe, o médico resposnável pelo tratamento não permitiu a entrada de um médico particular trazido pela família, sob o argumento de que o hospital é do SUS.
” Por isso acho que foi negligência, medicaram o meu filho, deu alergia, entraram com soro e não viram que ele estava com um rim parado”, conta a mãe. “Com o excesso de soro, o outro rim não deu conta e o líquido foi pro pulmão. Quando resolveram mandar para Campo Grande, um dia depois, o Luiz Felipe morreu”.(ouça gravação com a mãe)
De acordo com o legista Aristeu Katsumi, a causa da morte foi insuficiência respiratória aliada à insuficiência renal.
Pacientes que precisam de hemodiálise são os que mais sofrem
A rotina das viagens para Campo Grande é a mesma para os pacientes que tem problemas renais crônicos, mas o cansaço e os riscos à saúde são muito mais graves.
Três vezes por semana uma van parte lotada com esses pacientes, que percorrem os mesmos 486 kms ida e volta da capital. Na semana, são 1.458 kms, pouco mais que a distância de Campo Grande ao Rio de Janeiro(1.444). No mês, são 5.832 kms, a ida e volta de Belém, no Pará. Num ano, são os astronômicos 69.984 km. Um volta na Terra, pelo eixo do Equador, tem a extensão de 40.075,16 km. São 39 paciente que fazem o roteiro a partir da região norte do estado.
O caso de A.V, que faz hemodiálise há seis anos, é um dos mais estressantes. A mãe, K.V. não se conforma com o sofrimento da filha e a falta de alternativas. ” São seis anos nessa vida, três vezes toda semana”. “Minha filha e os outros pacientes saem da hemodiálise muito cansados, imagine o que é filtrar o sangue por uma máquina durante três ou quatro horas”.
Por ser invasiva e alterar profundamente o cotidiano dos pacientes, a hemodiálise provoca alto stress. O paciente depende , sempre, do apoio de familiares e da solidariedade do próprio grupo de doentes. No caso do paciente ter que andar quase 500 km a cada sessão, as sequelas sentidas por todos. “A viagem cansa mais, é insuportável. E agora a Santa Casa não faz mais transplantes, não tem solução”, desabafa a mãe de A.V.
Segundo notícias da direção do Hospital de Coxim, uma negociação como a clínica Hiper Rim, privada, para a implantação de uma unidade de hemodiálise na cidade está em curso, mas não há data prevista porque o hospital precisa de adaptações.
Polêmica com a Santa Casa
Quando a direção da Santa Casa de Campo Grande explicou a sua superlotação, afirmou que muitos pacientes do interior chegam à sua porta, diariamente. Segundo a afirmação, em março, Coxim foi a cidade que mais mandou pacientes, 101 ao todo, com 15 casos de internação e 25 de urgência ou emergência.
O diretor do Hospital de Coxim, Rogério Márcio Alves Couto, rebateu a informação, dizendo que a Santa Casa deveria controlar melhor a entrada de pacientes. Em nota, o diretor-geral garantiu que foram encaminhados apenas 21 de Coxim, no mês de março, através da Central Estadual de Leitos, popularmente chamado de “banco de vagas”. E que o hospital reduziu o número de pacientes enviados para a capital em 30% desde a sua inauguração.
Segundo a lei do SUS, hospital tem de atender mais
O Hospital de Coxim, de acordo com sua classificação no DATASUS, do Ministério da Saúde, é conveniado na categoria “Média Complexidade”. Pela lei de criação do SUS, a Média Complexidade é descrita desse modo:
” É um dos três níveis de atenção à Saúde, considerados no âmbito do SUS. Compõe-se por ações e serviços que visam a atender aos principais problemas de saúde e agravos da população, cuja prática clínica demande disponibilidade de profissionais especializados e o uso de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico e terapêutico. ”
Na versão oficial do governo do estado, em matéria de sua assessoria de imprensa publicada em 5 de Julho de 2010, informou que “concluiu o Hospital Regional de Coxim está sendo administrada pela prefeitura e foi projetada com 86 leitos, 10 UTIs (Unidade de Tratamento Intensivo), 4 salas de urgência.”
O Hospital de Coxim, que tem o nome oficial Dr. Álvaro Fontoura Silva, foi construído pelo governo do estado ao custo de R$ 12,6 milhões, e depois repassado para a prefeitura de Coxim, que entregou a sua administração à Fundação Estadual de Saúde do Pantanal, entidade privada, mas que se declara sem fins lucrativos. A empresa que fez a obra foi a Cobel. (* Os pacientes solicitaram a não publicação de seus nomes)
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Comentário de
geicy — 26 de abril de 2011 às 15:20
õ
Comentário de
Coxinense decepcionado — 26 de abril de 2011 às 18:11
Realmente , muitas pessoas depositaram sonhos naabertura desse hospital ; para uns seriam o fim das viagens a Campo grande, para outros seria a possibilidade de exercer a profissão com uma boa remuneração , mas hoje podemos constatar que tudo não passou de um sonho: o sálario é uma vergonha , o atendimento é precário. enfim, o que resta ao pobre? sentir-se mais miserável por depender desses politicos que nada fazem além de promessas utópicas que jamais irão realizar-se
Comentário de
claudio — 26 de abril de 2011 às 19:50
INFELISMENTE ESTE HOSPITAL NÃO ATENDE NINGUEM ,FIQUEI COM A MINHA FILHA TARDE DA NOITE PASSANDO MAL NO PRONTO SOCORRO POR MAIS DE DUAS HORAS E NÃO VI SE QUER CHAMAR UM PACIENTE,PARA SER ATENDIDO.SO ME RESTOU UMA SOLUÇÃO PEDIR AJUDA PARA DEUS QUE SARASE A MINHA FILHA .FUI EMBORA CONFIEI NO SENHOR E MINHA FIHA SAROU.SE DEPENDERMOS DESTE HOSPITAL ESTAMOS MORTOS .ALGO DE ERRADO ACONTECE AI .GUANDO VOCE VER PESSOAS SENDO ATENDIDAS TUDO BEM ,MAIS GUANDO NÃO CHAMA NINGUEM ALGO ESTA ERRADO.QUE SAUDADE DA SANTA CASA DE COXIM.
Comentário de
Rita — 26 de abril de 2011 às 23:20
A população coxinense tem que agradecer a Deus pela abertura do regional! Eiita povinho que reclama heim.. Sei que o H.R esta longe de atender todas ocorrencias, mas temos que nos lembrar de como era antigamente, e ver que aos poucos ele esta evoluindo. Veja só quantos médicos novos chegaram, muitos com especialidades.. Nada muda da noite para o dia.. mas a ignorancia da população sempre sobressai. Fico indignada como as pessoas são mau agradecidas.. P/ o Coxinense decepcionado: Uma pessoa não se torna miserável por depender de ”politica” e sim por não saber fazê-la!
Comentário de
coxinense — 30 de abril de 2011 às 00:45
ooooooooooooooooooo
Comentário de
lima — 25 de maio de 2011 às 06:09
ESSE POVO DE COXIM SO SABE RECLAMA,JA QUE O HR ATENDE MAU,VAI ATRAS DE UM ATENDIMENTO MELHOR,SE NAO TEN NADA PRA FALA ENFIA A LINGUA NAQUELE LUGA.