- Publicada em 2 jun 2011 às 07:00
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Expansão da agropecuária intensificou erosão na bacia do rio Taquari em MS.
Para pesquisador, recuperação de microbacias deve ser mais difundida.
A disseminação de bons exemplos entre os produtores rurais é uma das alternativas mais viáveis para frear o assoreamento na bacia do rio Taquari, na região norte de Mato Grosso do Sul. A opinião é do engenheiro especialista em recursos hídricos Felipe Dias. “À medida em que eles conhecerem os benefícios do manejo adequado e da preservação do meio ambiente, isso servirá de exemplo para proprietários rurais em outras microbacias”, explica.
Dias comenta que ainda há desinformação por parte dos agricultores, o que dificulta uma recuperação mais eficiente do solo. “O que o homem leva um ano para estragar, a natureza precisa de dez para recuperar. Os governos têm sua parcela de responsabilidade, por meio de investimentos. Mas a solução depende muito mais da conscientização dos produtores”, afirma.
Pesquisadores da Embrapa Pantanal apontam que a expansão desordenada da agropecuária na parte alta da bacia intensificou o processo erosivo e ajudou a acelerar a deposição de areia no leito do Taquari, que já possuía como característica a elevada capacidade de transportar sedimentos.
De acordo com uma pesquisa publicada pelo órgão, em apenas 26 anos as áreas utilizadas pela agropecuária aumentaram em 1.820% na Bacia do Alto Taquari. Em 1977 as lavouras e pastagens cultivadas ocupavam apenas 3,4% da região. Em 2000, as áreas ocupadas pela agropecuária correspondiam a 61,9% da superfície total. Como consequência, milhares de quilômetros quadrados de terra passaram a ficar inundadas permanentemente, causando sérios impactos socioambientais.
Algumas práticas adequadas têm sido sendo adotadas há alguns anos para mitigar o assoreamento, em parceria dos produtores e do poder público. Um dos projetos pioneiros no Estado foi implantado no fim da década de 1990 em Alcinópolis, cidade a 364 quilômetros de Campo Grande. A prefeitura local e os agricultores se uniram para fazer a recuperação do córrego Tigela, que estava assoreado. O projeto deu certo: as erosões se estabilizaram e parte do curso normal do córrego foi recuperado.
Investimentos públicos
Iniciativas semelhantes foram aplicadas ao longo da década por outros municípios da bacia, como Rio Verde de Mato Grosso, Coxim e São Gabriel do Oeste. A experiência serviu de base para que a Agência Nacional de Águas lançasse em um projeto específico para recuperação de microbacias, com aporte de R$ 3,45 milhões do órgão federal no ano passado.
O governo estadual também anunciou ações para a bacia do Alto Taquari, como a adequação de estradas rurais, recuperação de áreas de preservação permanente, controle de erosão e construção de terraços na região. A Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul) já licitou R$ 5 milhões em investimentos, e a execução das obras deve ter início ainda no primeiro semestre.
Outra medida é a implantação de viveiros em cinco municípios, para a produção de mudas que vão ajudar a recompor a vegetação nas margens do rio. A unidade de São Gabriel do Oeste, que já existe há alguns anos, servirá como viveiro-mãe no fornecimento de mudas de árvores nativas de pelo menos 40 espécies aos demais polos. A expectativa é que até 1 milhão de mudas sejam destinadas ao plantio por ano.
Para Nilo Peçanha Coelho Filho, coordenador técnico do Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Taquari (Cointa), ações como essa devem reduzir o envio de sedimentos para o leito do rio. “Será o início de um ciclo. Cada medida vai permitir que novas ações sejam desenvolvidas para recuperar a bacia integralmente”, explica. Peçanha afirma ainda que muitos produtores rurais já estão trabalhando em algumas microbacias porque perceberam que o manejo adequado melhora a renda e a produtividade.
*Informações da TV Morena e G1.
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