• Publicada em 2 out 2011 às 09:34
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Favores, nepotismo e ameaças marcam duelo político em Alcinópolis

Há um ano, a briga por poder deixou os limites da cidade de 4.515 habitantes e ganhou projeção a mais de 400 km de distância, com a morte do presidente da Câmara, Carlos Antônio Carneiro. Assassinado a tiros na avenida mais importante de Campo Grande.

Foto: Simão Nogueira

Encravada no coração do Centro-Oeste, a pequena Alcinópolis ganha proporções gigantescas quando o assunto é disputa política.

Há um ano, a briga por poder deixou os limites da cidade de 4.515 habitantes e ganhou projeção a mais de 400 km de distância, com a morte do presidente da Câmara, Carlos Antônio Carneiro. Assassinado a tiros na avenida mais importante de Campo Grande.

Além de crime, o enredo do duelo político é formado por denúncias de nepotismo, favorecimento, ameaças e perseguições. De um lado, está o prefeito em exercício Alcino Carneiro (PDT). Pai do vereador morto, ele acusa o prefeito afastado Manoel Nunes da Silva (PR) de ser o mandante da execução.

Do outro lado da trincheira, o grupo ligado a Mané Nunes reclama que Alcino quer ser o dono da cidade. No centro da disputa, está o comando da prefeitura, que além de oferecer os serviços essenciais de poder público, figura como o maior empregador local e dona do cofre que mais arrecada ICMS Ecológico no Estado.

Na sexta-feira, horas depois de a cidade ser varrida por um temporal que destelhou 100 casas, derrubou árvores e levou a cobertura metálica do estádio, o tema mais palpitante era o foguetório que ecoou em Alcinópolis para comemorar a libertação de Manoel, que ficou mais de dois meses na cadeia. Solto pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), ele está proibido de se aproximar da prefeitura.

Na casa do prefeito afastado, o filho Wallace Aparecido Nunes Prado, de 18 anos, afirma não saber do seu paradeiro. “Nem sabia que ele ia sair ontem. Se soubesse, tinha ficado em Campo Grande”, afirma o rapaz. Segundo ele, o pai tem apoio da população e dos aliados políticos, a quem chama de “companheiros”.

Retaliação – A batalha respinga nos servidores públicos. De acordo com Alcino, após o assassinato de seu filho, o então prefeito cortou gratificações de funcionários que aderiram ao adesivo “Alcinópolis pede justiça”. Agora, é a sua vez de usar a tesoura.

“Tinha funcionário dele com até 140% de gratificação. E o total não pode ser mais de 80% a 100%” justifica o prefeito em exercício. Alcino afirma que encontrou a folha de servidores inchada, com custo de R$ 650 mil.

Ele pretende reduzir o quadro de funcionários de 300 para 250 pessoas, para não ferir a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). “Em dois meses, já economizei R$ 115 mil em combustível”, relata. Outras situações pouco mudaram: o chefe de gabinete de Manoel era o sogro; já Alcino nomeou o enteado para o cargo.

Na sessão da Câmara Municipal, o vereador Ênio Queiroz (PR), que também chegou a ser preso acusado de envolvimento na morte do vereador, leu uma lista com nomes de servidores demitidos desde 25 de julho, quando o vice Alcino assumiu o comando da prefeitura.

“Acho infeliz a maneira de como ele toca a administração. Agindo com vingança, retaliação. Acha que Alcinópolis é dele”, dispara. Sobre a prisão, ele alega ser inocente.

Valter Roniz, que se tornou presidente da Câmara após a morte de Carlos Antônio, aponta que há algumas obras paradas na cidade, com a pavimentação asfáltica das ruas. Para ele, a situação é temporária e fruto da transição no comando do Poder Executivo.

“Nosso maior partido é o município de Alcinopolis”, diz, adotando a diplomacia ao falar sobre a disputa política. Roniz também ficou 23 dias atrás das grades por suspeita de participação no crime.

*Informações do Campo Grande News.

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